Introdução

      Nenhum comentário em Introdução

Cho uma vez me disse “você já viu uma vida inteira de guerras, não foi?”.

Encontrei com ele voltando para Orgrimmar recentemente, depois que voltamos de Argus.

“Grimvar, é bom te ver novamente. Sempre na luta, não é?” ele me disse.

Eu não sabia o que responder. Desde que o conheci na Floresta de Jade ele sempre me fez perguntas que eu não sabia responder. O que é, no mínimo, curioso, já que sempre foram perguntas que pareciam importantes. Não que isso faça diferença, já que ele nunca esperou por respostas, mas isso me fez pensar. Há quanto tempo estou nessa vida, de batalha em batalha, sempre enfrentando uma situação mais perigosa que a outra? Colocando em risco a minha vida, minha alma, minha sanidade? Já perdi a conta dos anos. Vi mais anos de guerra que anos de paz na minha vida. Lá se vão quase vinte anos que nos mudamos para Durotar depois que Thrall nos tirou dos campos. Eu era só uma criança, traumatizado com a guerra, com a fuga de Draenor, a viagem pelo portal… isso não é fácil para nenhuma criança, nem mesmo uma criança orc.

Pelo menos em Durotar tínhamos uma vida melhor. Não era uma vida fácil, mas era uma vida livre. Estávamos construindo nosso lugar no mundo. Eu cresci ouvindo histórias do passado, observando gente como Thrall, Cairne, Vol’Jin, Saurfang…

Eu queria visitar o lugar onde Grom Hellscream salvou nosso povo, mas minha mãe não permitia. Ela dizia que era perigoso e que eu acabaria morto. Eu nunca me importei. Mesmo muito pequeno eu vi o que éramos sob a influência dos demônios, e Grom nos salvou daquilo. Eu precisava prestar meus respeitos a ele. Então, um dia saí escondido. No meio da noite arrumei umas coisas e fui me esgueirando até sair de Orgrimmar – o que não era muito difícil na época, afinal a cidade ainda estava em construção. Saindo pelo portão lateral – que na época ainda não existia – eu segui o rio para o norte até conseguir entrar no Vale Gris. Ali não era difícil encontrar o que eu estava procurando, era só seguir o cheiro de demônio. Eu não tive problemas no vale – qualquer orc sabe sobreviver sem problemas. Foi quando eu estava prestes a me aventurar no Cânion do Demônio Caído que eu apaguei sem nem ver que eu tinha sido seguido. Fui acordar umas horas depois, com um brutamontes mal encarado me olhando. Do lado dele, um urso que parecia que ia me estraçalhar.

“O que você está fazendo aqui moleque?”

Rexxar. Eu só tinha ouvido falar dele em histórias. E agora ele estava ali, na minha frente, e pedindo respostas.

“Eu vim prestar minhas honras a um grande orc”, eu disse.

Só posso imaginar o que ele pensou, olhando aquele moleque querendo entrar em um lugar cheio de demônios só pra poder homenagear um orc que morreu faz tempo. Mas, sem dizer nenhuma palavra, ele me levantou como se eu fosse um travesseiro e só falou “anda”. Decepcionado, comecei a andar, pensando no caminho de volta, no que eu ia dizer quando chegasse. Mas, principalmente, cheio de vergonha: eu não tinha conseguido fazer o que eu mais queria. E então senti o machado me cutucando no lado do braço. Rexxar estava me olhando, e com o polegar ele indicava a entrada do cânion. Ele não estava me mandando de volta; ele ia junto comigo. E enfrentamos os demônios do lugar, juntos. Ele me ensinou a cobrir meus passos, rastrear o oponente, esperar o momento certo de avançar. Sem saber, eu estava aprendendo a ser um caçador. E estava aprendendo a sobreviver. Finalmente tive meus minutos no monumento que Thrall tinha deixado lá. Coloquei um amuleto que eu mesmo tinha feito, com a presa do meu pai.

Obrigado, Hellscream.

Quando saímos do cânion, Rexxar sumiu, assim como tinha aparecido. Voltei pra casa sabendo o que eu seria pelo resto da vida e, não muito tempo depois, comecei a treinar para ser um caçador. Pensando no que o Cho me falou, não importa em quantas guerras eu já lutei. Já enfrentei dragões do mal, elementais enlouquecidos, lendas do passado, deuses antigos, mortos-vivos, o filho ingrato e desonrado do meu herói… e até mesmo o fim do mundo e os próprios Titãs. O que importa é o que me faz levantar e continuar lutando.

Para proteger o lar, e a família. Para preservar o equilíbrio, e trazer harmonia.

Meu lar é Orgrimmar; minha família é a Horda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *