De volta para casa

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Nunca vou me esquecer da primeira vez que vi o Triunvirato.

Os três líderes da nossa espécie, juntos, eram realmente formidáveis. Tínhamos certeza de que éramos o ápice da Criação, e nada poderia nos derrubar.

Se uma coisa é certa neste Universo é que sempre acabamos pagando nossos pecados. No caso dos Eredar, esse pecado foi o orgulho. E como éramos orgulhosos! Tínhamos certeza de ser os primeiros. Mesmo muito depois de aprender a navegar pela Grande Escuridão do Além, quando observamos outras civilizações, sempre víamos os outros como primitivos, limitados… quase sentíamos pena deles.

Acho que foi por isso que Sargeras nos conquistou de maneira tão completa. Tínhamos um senso de responsabilidade que beirava o abuso; achávamos que era nossa obrigação levar a “civilização” a outros planetas, e era obrigação dos outros povos aceitar a nossa forma de vida como a única apropriada.

A maioria de nós comemorou o anúncio da aliança com Sargeras. Mal sabíamos nós que estávamos participando da criação da máquina de guerra mais formidável de toda a existência… todos, menos o Profeta Velen. Ele tinha visto através das mentiras e dos presentes do Titã caído. E, antes que fosse tarde demais, juntou todos aqueles que concordavam com ele e tentou formar uma resistência. Entre essas pessoas, estava quase toda a minha família. Meu pai se recusava a se unir a um movimento que ele via como uma traição à “responsabilidade” que tínhamos para com as outras civilizações. Ele insistiu e insistiu, mas minha mãe finalmente o deixou para trás, me arrastando aos berros com ela para o Exodar. Eu era apenas uma criança, e por algum motivo achava que meu pai poderia ser convencido de que estava cometendo um erro. Levei muitos anos até entender os motivos da minha mãe, e mais ainda até aceitar a perda…

Só fui realmente entender o que a Legião significava quando os orcs se voltaram contra nós em Draenor. Sob a influência do sangue de Mannoroth eles tinham mudado completamente. O povo xamânico e pacífico que havíamos ajudado tinha desaparecido, devorado pelo espírito violento e sedento de sangue que quase nos destruiu. E eu jurei que jamais os perdoaria pelo que fizeram à minha mãe.

Quando finalmente voltamos a Draenor, que agora tinha se transformado em Terralém, eu me recusei a pôr os cascos no chamado “Caminho da Glória”. Não sabendo que minha mãe estava entre as vítimas cujos esqueletos foram usados pra construir aquela estrada maldita. Só muito tempo depois, quando descobri o que aconteceu com os orcs, e depois de ver que nem todos foram corrompidos, comecei a perceber que nem tudo é tão simples.

E agora, aqui estamos nós. A bordo da Vindicaar, de volta para Draenor, que Illidan trouxe (de algum jeito) para perto de Azeroth. Eu olho para esse planeta que me parece desconhecido, apesar das paisagens de que me lembro tão bem, e me pergunto se meu pai ainda está ali em algum lugar… se ele se lembra de mim.

Mas o pior é que eu não sei o que responder quando pergunto a mim mesma o que vou fazer se eu encontrá-lo.

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